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PGL Sabores
Despensa · sem receitas de trinta minutos

Só comida que exige tempo.

Fermentação, cura, conserva, salga, vinagre, salmoura. É a metade da cozinha portuguesa que quase não está escrita em lado nenhum de forma utilizável, porque sempre se transmitiu de pessoa para pessoa. Aqui as fichas não abrem com ingredientes: abrem com um calendário — e dizem, em cada marco, o que vês, o que cheiras e o que corre mal.

Quarenta dias em três segundos

PGL SABORES
Dia 1 · Couve em salmoura

Couve branca, salmoura transparente.

O sal acabou de ser misturado; o líquido ainda não cobre tudo.

dia 1dia 28
Couve em salmoura Azeitona de curtir Vinagre com mãe Limão em sal Pickles Compota Queijo fresco Licor de casca Salga Fumeiro Escabeche
Como se lê uma ficha

A ficha é um relógio, não uma lista

Ninguém precisa que lhe digam outra vez que leve uma couve e sal. O que falta, e é sempre o que falta, é saber o que devia estar a ver ao terceiro dia — e o que fazer quando não está.

Um calendário, não um método

Dia 1, dia 3, dia 10, dia 40. Em cada marco, o que está a acontecer lá dentro e o que isso deve parecer de fora. Está pronto quando isto acontecer — e não ao fim de um número de dias fixo.

Três colunas fixas

O que vês, o que cheiras e o que corre mal. A terceira é a mais valiosa de todas: a diferença entre bolor bom e bolor mau é a pergunta que toda a gente faz e quase ninguém responde com clareza.

A linha do medo

Cada ficha diz explicitamente quando se deita fora, e porquê. Sal, acidez, temperatura, vedação: os quatro números que decidem. Nada de «confia no teu nariz» sozinho.

4números decidem tudo: sal, acidez, temperatura e vedação
3colunas em cada marco: o que vês, o que cheiras, o que corre mal
0receitas de trinta minutos — disso a internet já está cheia

O mapa do gosto

O que se conserva difere de norte a sul e de serra a costa, e a razão é sempre climática ou histórica: onde havia frio e fumo, curou-se; onde havia sol e sal, salgou-se; onde havia fruta a mais num mês, fez-se doce.

O mesmo porco dá coisas diferentes em Trás-os-Montes e no Alentejo, e não é por acaso.

Ver o mapa →

O ano, mês a mês

Conservar é responder a uma abundância: há coisas que só se fazem quando há matéria-prima e clima para as fazer. A azeitona é de novembro, a compota é do pico do verão, o fumeiro é do frio.

O calendário organiza o ano inteiro por aquilo que faz sentido começar em cada mês.

Abrir o calendário →

E o pão?

O pão e a massa-mãe ficam de fora, e de propósito: há um site inteiro dedicado a isso, o Farta Pão. Aqui fica tudo o resto que exige espera — conserva, cura, lácteo, vinagre, álcool. Em vez de duplicar, liga-se.

Denominações protegidas

Os produtos com DOP ou IGP entram aqui como contexto e nunca como marca apropriada: o site explica o que a denominação exige e porque é que ela existe, sem se apresentar como produtor nem sugerir que o que se faz em casa lhe é equivalente.

Isto começou na despensa de alguém

Se a sua família faz alguma coisa que aqui não está — e faz, com certeza —, conte. É assim que este tipo de conhecimento deixa de se perder.

Contar uma conserva de família